Leucodermia Gutata

Leucodermia gutata: sintomas, causas e tratamentos

Moramos em um país com clima quente e, na maior parte do ano, com muito sol. Porém, os brasileiros ainda não se preocupam com a proteção da pele. De acordo com uma pesquisa científica do Instituto de Cosmetologia e Ciência da Pele, 72,5% da população brasileira não aplica protetor solar diariamente. Tal fato contribui para o aparecimento de problemas de pele, como a leucodermia gutata.

Mesmo com a consciência de que o sol pode ser um dos principais causadores das manchas na pele, o costume de se proteger contra os raios ainda não faz parte da rotina dos brasileiros.

Com relação às manchas de pele, podemos dividi-las entre as cores marrom, preta, branca, roxa e vermelha. As marrons abrangem condições, como a melanose ou a mancha senil, a fitofotodermatose (queimadura resultante da reação de um componente químico presente em frutas cítricas com o sol) e o melasma.

Dentre as manchas pretas, podemos identificar o nevo, o nevo melanocítico congênito e a queratose seborreica escura. No grupo das roxas, se encontram os hematomas (causados por pequenos traumas, batidas ou topadas em objetos, que provocam o rompimento de vasos sanguíneos da pele) e a púrpura senil, que são petéquias, equimoses ou hematomas, as quais aparecem no dorso, nos punhos, nos antebraços ou nas mãos, em decorrência do afinamento da pele, sendo comum em pessoas idosas.

Por fim, as manchas brancas abrangem a leucodermia solar ou sardas brancas, a pitiríase versicolor ou o pano branco (micose de praia) e o vitiligo. Hoje, falaremos sobre a leucodermia solar.

A leucodermia gutata

A leucodermia gutata, ou leucodermia solar, conhecida popularmente como sarda branca, são manchas esbranquiçadas nas áreas expostas ao sol, como braços, antebraços e pernas, mas podem aparecer também na face.

Bastante frequente na população, a condição se caracteriza por manchas brancas, arredondadas, geralmente de 2 a 5 mm de diâmetro, que ocorrem nas áreas de maior exposição solar.

A principal causa do problema é justamente o excesso de sol na pele, sem proteção contra os raios solares. Embora seja uma alteração benigna da pele, normalmente, as sardas brancas são sinal de que a cútis não está sendo corretamente protegida contra os raios UV.

Os raios ultravioletas provocam danos nos melanócitos, que deixam de produzir a melanina de forma correta, gerando essas pequenas vesículas de cor mais clara que o tom de pele do indivíduo.

Em geral, as lesões aparecem em adultos, acima de 40 anos, por dano solar cumulativo, devido às exposições prolongadas e repetidas durante a vida. As lesões não levam a um quadro clínico mais grave, porém, afetam a autoestima dos pacientes.

O diagnóstico da leucodermia deve ser feito por um dermatologista, que analisará a pele do paciente detalhadamente.

O primeiro cuidado consiste no uso de protetores solares, sempre que houver a exposição ao sol, de modo a evitar mais danos. Durante muito tempo, foi comum ouvir dos médicos que essas manchas não tinham tratamento, sendo recomendada apenas a proteção solar. Mas a medicina evoluiu, e novas técnicas de tratamento foram sendo descobertas e utilizadas.

Tratamentos

O passo mais importante no tratamento das sardas brancas é a utilização diária de protetor solar, com fator de proteção 15 no mínimo.

No entanto, também é possível consultar um dermatologista para iniciar o tratamento com laser, ou fazer a criocirurgia com nitrogênio líquido. A criocirurgia é realizada no consultório, sem necessidade de anestesia.

O médico aplica um fino jato de spray de nitrogênio líquido, que atinge apenas a mancha e por tempo muito curto. A área tratada sofre congelamento imediato, que provoca a “destruição” controlada da pele afetada. Durante cerca de 30 minutos, persiste uma sensação semelhante à de uma leve queimadura ou coceira. Não há necessidade de curativo.

Nos dias que se seguem, formam-se crostas finas e escuras sobre as áreas tratadas, que levam de 2 a 4 semanas para se soltarem. Quando caem, a pele que surge ainda se mostra mais clara, como uma cicatriz recente de ferida superficial. No entanto, aos poucos, a repigmentação se inicia.

É necessário expor a pele ao sol, antes das 10 ou após as 15 horas, para estimular a produção de melanina (pigmento que dá cor à pele). Fora desses horários, é preciso proteger a pele do sol. Os resultados variam de acordo com cada caso, mas, mesmo nos pacientes com boa resposta ao tratamento, a melhora surge de forma gradativa.

Outra opção de tratamento é o laser fracionado, técnica muito utilizada na área de estética. O método se encarrega de fazer lesões microscópicas e, assim, estimular a regeneração da pele. O pigmento natural pode ser produzido novamente na área regenerada. Para que os resultados se tornem evidentes, os dermatologistas recomendam no mínimo três sessões.

Essas técnicas ajudam a remover a camada superficial da pele, promovendo a regeneração, que passa a ficar sem manchas ou a ter as manchas reduzidas. Também existem casos, especialmente em pessoas com pele mais escura, em que as manchas podem não desaparecer completamente, mas, nessas situações, deve-se manter o uso de protetor solar.

Prevenção da leucodermia gutata

Se você quer prevenir o aparecimento de manchas brancas na pele, a melhor estratégia é ficar longe do sol forte. Isso mesmo! Nada de ir à praia ou à piscina nos horários de maior incidência dos raios solares (das 10h às 16h).

Também é fundamental aplicar filtro solar todos os dias, principalmente nas áreas mais expostas do corpo. O produto deve ser usado de forma contínua, diariamente, durante todo o ano, e não apenas no verão.

Além disso, a utilização de roupas e acessórios com proteção UVA e UVB é essencial para proteger de forma segura a pele.

A leucodermia gutata é uma alteração estética. Se você apresenta essa lesão, procure um dermatologista para confirmar a disfunção da pele. Em alguns casos, pode ser uma simples micose ou até mesmo vitiligo. Só o dermatologista (especialista em doenças de pele, cabelos e unhas) saberá lhe dizer o diagnóstico e o tratamento corretos.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder os seus comentários sobre esse assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como dermatologista em Cotia!

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Posted by Dra. Larissa Viana